Emergent Ecologies

IMPERIAL VALLEY
Foto: Erika Larkins
Imperial Valley é uma região rural e desértica localizada a 193 km a leste da região costeira (e com temperaturas mais amenas) de San Diego. Os residentes do condado mais quente da Califórnia enfrentam mais de 175 dias por ano com temperaturas acima de 32 °C, médias de verão entre 40 °C e 41 °C e recordes de calor que chegam a quase 49 °C. O Condado de Imperial Valley faz fronteira com o México, e estima-se que 85% dos residentes sejam hispânicos ou latinos, com 22% da população vivendo abaixo da linha da pobreza.
Pessoas que trabalham ao ar livre são altamente suscetíveis à desidratação e à exposição excessiva ao calor. A insegurança no emprego ou o trabalho precário, somados às limitações ou dificuldades na implementação de proteções federais e estaduais, restringem a possibilidade de os trabalhadores reduzirem sua temperatura corporal por meio do acesso a sombra, de pausas para hidratação ou de flexibilização do horário de trabalho. Aproximadamente 1 em cada 6 empregos na região está vinculado à indústria agrícola. As atividades na construção civil e na agricultura também costumam ser realizadas ao ar livre ao longo de todo o ano, expondo os trabalhadores ao estresse térmico ocupacional. Milhares de trabalhadores nessa região colhem safras, empacotam cebolas, colocam telhados, instalam painéis solares e constroem casas. O risco de mortes relacionadas ao calor é real.
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O transporte constitui outro eixo central de exposição ao calor, uma vez que os pontos de ônibus geralmente não oferecem sombra e ficam distantes uns dos outros, exigindo longas caminhadas sob o sol. Outros meios de transporte, como motocicletas, não reduzem necessariamente a exposição solar. Até mesmo carros particulares podem superaquecer, forçando os motoristas a limitar o uso do ar-condicionado.
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Os parques públicos frequentemente carecem de áreas com sombra, o que reduz as possibilidades de socialização ou de espaços para crianças brincarem longe/protegidas do sol. Pessoas em situação de rua são as mais vulneráveis a doenças associadas ao calor. A desigualdade social e racial atravessa todas essas formas de exposição, influenciando os tipos de emprego disponíveis, o grau de controle exercido sobre as condições de trabalho, os meios de transporte acessíveis e a capacidade de lidar com/contornar o calor em casa ou em espaços de lazer.


É comum que quem vive no Imperial Valley descreva o clima extremo como quente, úmido, exaustivo, inabitável e insuportável. Os ensaios fotográficos acima retratam essa realidade. O primeiro, feito por Raul Ayala-Brooks, conta com quatro fotos que mostram como os trabalhadores, especialmente os rurais, enfrentam diariamente os efeitos devastadores do calor extremo. Durante o verão, o calor intenso gera sérios riscos à saúde, especialmente para trabalhadores agrícolas e operadores de maquinário pesado, como tratores e equipamentos de aplicação de pesticidas. Essas ocupações exigem exposição prolongada ao sol, e muitos desses profissionais sofrem com a exaustão pelo calor, que pode se manifestar em fraqueza, náuseas e até desmaios. Com temperaturas que alcançam 120 °F (aproximadamente 49 °C), o trabalho se torna uma tarefa exaustiva e perigosa, agravada pela falta de áreas sombreadas nos campos.
O segundo ensaio, elaborado por Klarissa Martinez, com as cinco fotos seguintes, aborda os impactos do calor extremo na saúde mental. As altas temperaturas no Imperial Valley afetam não apenas o corpo, mas também a mente. Indivíduos que sofrem insolação ou infartos por conta do calor podem desenvolver ansiedade, medo de sair ao ar livre e, consequentemente, deficiência de vitamina D devido à exposição insuficiente ao sol. Além disso, o calor intenso provoca confusão mental, um fator que contribui para o aumento de acidentes de trânsito na região. Vale destacar que pessoas em situação de rua, já vulneráveis a problemas de saúde mental, tornam-se ainda mais suscetíveis durante os dias de calor intenso.
O terceiro ensaio, de Evelyn Suarez, composto pelas seis fotos seguintes retrata os impactos no cotidiano, que é profundamente alterado durante o verão, quando as temperaturas elevadas afetam o funcionamento de atividades essenciais. Com termômetros chegando a 120 °F, os sistemas de ar-condicionado frequentemente falham, tanto em residências quanto em veículos e locais de trabalho, incluindo hospitais. Esse problema é recorrente e amplia o desconforto e a insegurança dos moradores. Além disso, o calor altera rotinas básicas, como a vestimenta e as atividades ao ar livre, exigindo adaptações constantes dos habitantes ao ambiente hostil.
O quarto ensaio, composto por três fotos e realizado por Eric, explora como a população do Imperial Valley se relaciona com o uso de protetor solar, essencial para os que trabalham ao ar livre, protegendo a pele de queimaduras solares. A exposição prolongada ao sol influencia as escolhas de vestuário, levando muitos a optarem por roupas que cubram o máximo de pele possível. Contudo, a necessidade de proteção traz desafios: o uso excessivo de protetor solar pode interferir na absorção da vitamina D, um nutriente essencial que depende da exposição solar. Por outro lado, a ausência de protetor aumenta o risco de queimaduras solares recorrentes.
O quinto ensaio, de Emily Figueroa, composto por seis fotos retrata a mobilidade no calor extremo do Imperial Valley. As altas temperaturas dificultam a locomoção a pé durante o dia, tornando o transporte automotivo essencial para evitar a exposição prolongada ao sol. No entanto, nem todos têm acesso fácil a esse tipo de transporte, o que amplia as desigualdades na região. Caminhar por mais de 20 minutos em um ambiente com temperaturas acima de 120 °F é praticamente inviável e perigoso. Mesmo para aqueles que possuem veículos, o calor representa um desafio, já que, em dias muito quentes, os carros tendem a superaquecer com o uso intensivo do ar-condicionado.
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As últimas 10 fotos foram feitas por Erika Larkins.
























