Emergent Ecologies
calor extremo
Este projeto de pesquisa etnográfica coloca em perspectiva dois contextos de calor extremo: Imperial Valley, Califórnia, uma região árida e desértica localizada na fronteira entre os Estados Unidos e o México, e o Rio de Janeiro, Brasil, cidade que possui quilômetros de litoral, mas também bairros distantes da orla, onde milhões de pessoas vivem e trabalham sob um clima quente e úmido. Com foco na justiça climática e ambiental, a pesquisa busca compreender as experiências cotidianas de seus moradores em relação ao calor extremo, bem como os fatores que influenciam sua capacidade de lidar com o calor. Ambos os territórios são marcados por profundas desigualdades sociais e raciais: enquanto a renda média anual das famílias no condado de San Diego é de US$ 102.000 (mais de 40% dos residentes são brancos), a renda média das famílias no condado de Imperial Valley é de cerca de US$ 56.000 (menos de 10% dos residentes são brancos). No Rio de Janeiro, embora cerca de 42% da população da cidade seja branca, os bairros mais ricos da Zona Sul — com fácil acesso à praia — concentram mais de 80% brancos. No Brasil, as disparidades raciais de renda são profundas, com trabalhadores brancos recebendo, em média, até 40% a mais do que trabalhadores negros e pardos. Além disso, o racismo estrutural extrapola o mercado de trabalho formal e estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas no Rio de Janeiro atuem na economia informal, sem acesso a proteções trabalhistas.
Compreender o impacto do calor extremo envolve formular questões mais profundas sobre como o racismo ambiental e a injustiça climática colocam determinados corpos em situação de risco, em função dos lugares onde as pessoas vivem, trabalham e circulam. Crenças raciais segundo as quais corpos não brancos seriam mais resistentes ao calor ajudam a explicar (em parte) por que uma proporção maior de pessoas negras e pardas vive sem acesso a ar-condicionado, por que essas populações estão mais expostas ao sol em razão de sua sobrerrepresentação no trabalho braçal e por que bairros negros e periféricos são menos contemplados pelos efeitos de resfriamento proporcionados pela arborização urbana. Mudanças nas leis, nas políticas públicas e nas tecnologias de resfriamento dependem de uma compreensão mais aprofundada dos impactos do calor extremo sobre comunidades marginalizadas.
Nos botões abaixo você acessa nossas pesquisas sobre calor extremo no Imperial Valley, Estados Unidos, e no Rio de Janeiro, Brasil.
